As pessoas te olham por "como você é" e não "pelo que pode dar". Aparências!!!
Não posso falar pelos outros, mesmo que eu saiba que muitos pensam ou sintam como eu. Enfim, só posso falar daquilo que vivi e se tem uma coisa que eu sei é o que a opinião das pessoas podem fazer com o outro. Eu sei, porque eu vivi e vivo isso todos os dias da minha vida. Como dizem: "EU QUE LUTE".
A palavra tem poder, ela pode influenciar, encorajar, direcionar e/ou mesmo destruir.
VOCÊ já parou pra pensar em como suas palavras atingem o outro? Ou melhor, antes de dar sua opinião, pensar no que dizer?
Bem... Eu também não! Não, até estar do outro lado da situação. Não, até ser atingida, despedaçada e destruída por elas. Não, até entender o poder que elas tinha sobre mim, compreender o estrago que fazia em minha vida e como elas influenciavam nas minhas escolhas. Eu também não escolhia e nem pensava o que diria até aqui.
Hoje vejo que levei muito tempo para aprender, e o quanto as linhas escritas por nosso Senhor são tortuosas. Apesar de ter sofrido a vida inteira com o preconceito sobre minha forma física, de ter tido de suportar os mais ignorantes dos comentários e frases veladas de hipocrisia, de ter tantas vezes me deixado influenciar por elas, ter feito escolhas pensando no que o outro tinha dito, na opinião do outro, e pior, ter tantas vezes me julgado e me olhado com descuido.
Quantas vezes me julguei, me senti um lixo, um nada, por causa do que outro disse. Quantas vezes comecei dietas malucas e ao não conseguir obter resultados me culpava, me sentia incapaz, e passava a desacreditar em mim e na possibilidade de um dia conseguir alguma coisa. Quantas vezes me calei e chorei diante do preconceito, me senti excluída, que não me encaixava em nenhum lugar, que não poderia fazer parte de algo ou que estava sozinha no mundo. Tudo por causa das palavras das pessoas.
Eu não só permitia que a opinião do outro me atingisse como transformava a dor em arma para atingir o outro. Eu sentia a dor, o medo, mas era incapaz de fazer algo para quebrar esse ciclo vicioso. Até eu dizer chega, até eu cair e não restar nada. Até eu precisar me reerguer das cinzas e perceber que apesar do outro não ter nada a ver com a minha vida, elas nunca iam deixar de opinar. Até eu perceber que a mudança precisava ser em mim, que eu precisava aprender por mais difícil que fosse filtrar as palavras do outro, compreender o poder delas sobre minha vida e saber direcioná-las para o meu bem.
Então eu percebi que a primeira mudança a ser feita era DENTRO de mim. A principal mudança era a aceitação, precisava me aceitar como eu sou e não como as pessoas acham que devo ser, precisava descobrir e fortalecer meu amor próprio e assim poder dar o primeiro passo e entender o propósito da minha existência.
Todos os dias pregamos que não devemos permitir que a opinião dos outros nos atinja. Reagimos com uma resposta na ponta da língua, se ouvimos algo que não nos agrada, fingimos não nos importar com elas, mas no fundo sabemos que não é assim. Sabemos que aquilo nos penetrou no mais profundo do nosso ser, e que fazer algo contra isso é quase impossível. A maioria das palavras que as pessoas direcionam as outras hoje são destrutivas, e até mesmo quando na intenção de ajudar elas podem causar estrago incorrigível.
Não estou aqui para dizer que não temos nada a ver com a vida dos outros (o que não deixa de ser verdade). Mas para dizer que não precisamos disso para viver e ser feliz. Para mostrar que do mesmo jeito que a palavra do outro atinge, a tua palavra também tem esse efeito. Para mostrar que precisamos mudar, mas a mudança tem que vir da gente, de dentro da gente. Condenamos o tempo todo, o fato de as pessoas estarem sempre apontando os defeito dos outros, o corpo do outro, o comportamento, o bolso, mas como diz o ditado: enrolamos o rabo sentamos nele e falamos dos outros. Fazemos a mesma coisa.
Pense na sua dor e veja a dor do outro. Não faça com o outro o que não quer que seja feito a você.
Eu sei, tenho muito que aprender. Mas cada vez que escolhermos com amor as nossas palavras, será uma pequena diferença que feita com frequência pode virar hábito e assim ser a mudança que você quer para a vida.
As pessoas nunca irão deixar de apontar a vida do outro, tenho certeza que este é um mal enraizado na sociedade que pode levar séculos para ser modificado e mesmo assim ira deixa cicatrizes profundas.
Não podemos calar as pessoas, não podemos mudar o outro, mas podemos começar por nós.
O único poder que detemos é sobre nós mesmos, podemos ser quem queremos, escolher o que desejamos, podemos nos moldar e nos reinventar sempre que for preciso. Podemos escolher o que fazer com o que fazem da gente. Escolher filtrar as opiniões, escolher o efeito que ela terá sobre nós, não permitir que elas nos invadam e destruam o nosso melhor.
É fácil? Claro que não, mas não é impossível.

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